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Padre Arraes
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PADRE ARRAES
 
Entrevista:
 

Nome Completo: José Valdênio de Andrade Arraes

Data de Nascimento: 27/05/47

Naturalidade: Brasileira

Nome dos Pais: Abelardo Arraes e Carmelita Arraes

Data de Ingresso na Vida Sacerdotal: 12/07/1973

Data da ordenação: 12/07/1981

Na Paróquia Santo Inácio de Loyola desde: xxx

Paróquias onde foi pároco: Na Diocese de Crato-Ce, fui pároco em Farias Brito (Paróquia Nossa Senhora da Conceição; e na cidade de Ipaumirim-Ce (Paróquia Nossa Senhora da Conceição).

Trajetória até o ingresso na vida sacerdotal: Toda adolescência fui comerciário até os 26 anos quando entrei para o Seminário.

Como foi a reação dos pais: Uma especial acolhida e respeito pela minha opção.

Religiosos na família: Um primo de primeiro grau que é um religioso jesuíta

O que foi mais marcante em todo período sacerdotal: A identificação com os pobres é o que mais me marca no meu sacerdócio. E ao mesmo tempo ser um sinal de contradição para os poderosos

Neste momento de crise: O sentimento que nos vem, ao falar deste instante que parece querer eternizar-se ao longo do tempo na história da humanidade, é o de tristeza, descrédito e sofrimento.
No entanto a origem da palavra “crise”, vem de crista. Assim, como cada onda traz na sua crista o ponto mais alto da sua formação, a humanidade tem em suas crises a oportunidade de “olhar de cima” para a deformação da sua própria onda. A moda, e as tendências nos vem como ondas, e nós estamos diante de uma crise ou de uma onda, a onda do egoísmo e do egocentrismo do homem.

Estes acontecimentos que pintam de sangue a tela de nossos televisores todas as noites, que fazem uma criança, antes de completar os dez anos de idade, ter assistido mais de umas milhares mortes, acabam por educar os futuros líderes, políticos e pais, de que a vida não vale tanto assim. Pelo menos a vida do outro. Já que pelos mesmos aparelhos educadores, as mensagens apelativas impulsionam ao consumo impensado e compulsivo, na busca da satisfação sempre pessoal e privada. Nesse contexto estamos inseridos. As ações de ataques cruéis do PCC e contra-ataque não menos impiedoso e desordenado da polícia, traduzem o verdadeiro desprezo pela vida em detrimento de qualquer objetivo menor e temporal.

No âmbito internacional a onda não é diferente, nem menos arrasadora. Os males dessa onda têm a mesma proporção da onda gigante, da Tsunami. Como as vítimas da onda gigante, os homens correm desesperados na busca de um lugar mais seguro, que necessariamente seria um local mais alto. No alto está a segurança! Em Deus há esperança. O homem procura, ainda que sem a plena consciência, pela eternidade, pelo intemporal, pelo perene; mesmo que seja na incansável luta pela eterna juventude. Sim, o fato de não querer envelhecer é um sinal da busca pela constante renovação, do embate com as marcas do tempo.

Acredito que o papel da igreja é o mesmo do Cristo, mostrar a todo homem a perspectiva do homem todo, a noção de totalidade, a realidade de corpo e membros, na qual estamos inseridos. O cerne, o centro da crise é o agente e a vítima da própria crise, o homem. Na Eco 92 foi dito que “pensar globalmente é agir localmente!”. Creio ser este o ponto de partida para a atuação da igreja, de cada igreja que é cada homem, criação divina, imagem e semelhança de Deus, templos do seu Santo Espírito.

Para os descrentes uma exortação: No homem está a confiança de Deus.

Posição a respeito da Teologia da Libertação: Positiva, sou favorável.

Objetivos (conquistados e ainda não conquistados): Meu objetivo é e sempre será de que o pequeno acredite no pequeno, e que não deposite suas esperanças nos poderosos.

Projetos de vida: Meu projeto é viver o momento!

Horas vagas: Gosto de viajar até as comunidades menos favorecidas, cumprido isto gosto de ler Leonardo Boff , J. B. Libânio e Frei Betto.